Blogindica – Por Sergio Batisteli
Um saudosista divertido
Um senhor da chamada terceira idade, Antônio Abujamra, descreve o fato de envelhecer. Ao narrar o ato de calçar suas próprias meias, as dificuldades implícitas e explícitas disso. Com muitas preocupações e paranoias, fala sobre o corpo de seu pai enterrado.
(Solo – Brasil, 2009, 72 min.) é um monólogo que traz um personagem melancólico, revoltado e saudosista. Ele vive sozinho e chega ao ponto de consultar a lista telefônica só para falar com alguém. Carente, liga várias vezes para uma francesa que aleatoriamente encontrou na lista. Ele idealiza as pessoas através de revistas, filmes, televisão etc.
O diretor Ugo Giorgetti, como no seu primeiro longa-metragem, “Jogo Duro” (1985) escolhe a zona oeste da cidade de São Paulo, mais precisamente o bairro de Higienópolis para referência em seu filme. Abujamra vive o papel de um morador da Rua Baronesa de Itu com Albuquerque Lins, que entre muitas ruas de São Paulo, seguem dia a dia o caminho da verticalização e não há sinais desse fenômeno urbano parar. Descreve a sensação de presenciar a demolição das casas da rua onde mora, para a construção de um edifício. Diz “Minha impressão é que morava antes no térreo e agora moro no teto de casa”.
Solo, por ser um “filme monólogo” corria um risco enorme de não agradar na linguagem estética. Mas, graças ao trabalho do excelente diretor de fotografia, Carlos Ebert “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), “Nem Tudo é Verdade” (1986), “Vlado – 30 Anos Depois” (2005), entre outros. E a coragem criativa de Marc de Rossi, responsável pelos efeitos visuais, o espectador pode assistir a um filme e não uma peça teatral.
Gravado nos estúdios da TV Cultura, a câmera é fixa no ator e o movimento fica ao fundo dele. O cenário virtual está sempre se movendo com mudança de cores, formas e imagens. Os ângulos de câmera que Giorgetti utiliza são basicamente close, plano médio e super close.
A atuação de Antônio Abujamra está à altura de sua grandeza como ator. Mesmo na pele do personagem não deixa de ser sarcástico e parte dele o bom humor implícito no filme.
Crítica publicada no site Almanaque Virtual:
http://almanaquevirtual.uol.com.br/ler.php?id=24239&tipo=2&cot=1
Crítica publicada no iG:
http://minhanoticia.ig.com.br/editoria/Cultura_Diversao+9510377.html
+ Trailer do filme +











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disse: 15/06/2010 às 14:43
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