Por Sergio Batisteli – direto da redação
Horas desperdiçadas
Na cidade de Portland (EUA) num lindo parque com um tempo fechado, vemos uma moça abrindo um mapa na mesa. Ela tem uma expressão tensa e deixa o local com seu carro.
12 Horas (Gone, EUA – 2012, 94 min.) depois de dirigir os ótimos “Nina” (2004) e “O Cheiro do Ralo” (2007), Heitor Dhalia estreia seu primeiro longa-metragem internacional.
“12 Horas” é um filme para adolescentes com uma das fórmulas mais utilizadas por Hollywood. Perseguidos que buscam vingança para fazer justiça com as próprias mãos e acabar com o assassino. Isso nós sabemos que faz parte da indústria do cinema há bastante tempo. O problema é justamente na maneira de (re)fazer este tipo de filme e foi na (re)criação o diretor brasileiro deixou a desejar.
Jill (Amanda Seyfried), de “Garota Infernal” (2009), “A Garota da Capa Vermelha” (2011), entre outros. Ao chegar em casa, a garçonete que trabalha de madrugada encontra a cama da irmã Molly (Emily Wickersham) vazia. Segundo Jill, o mesmo psicopata que a raptou há um ano volta para pegar a irmã, porém a polícia não acredita na versão dela. Jill parte desesperadamente em uma corrida frenética atrás da irmã.
Os acontecimentos do longa-metragem conspiram a favor de Jill de uma maneira fria, calculista e sem ritmo no desenrolar da trama. Não encontramos nem vestígios do competente e aclamado diretor brasileiro, que dirigiu “Nina” (2004) e “O Cheiro do Ralo” (2007). Obras tão impactantes, originais e corajosas. Claramente “12 Horas” é um resultado de produtores, ou seja, a obra não pertence ao diretor. Pertence a quem paga para rodar o filme e é quem apita no set de filmagem.
É uma pena vermos um diretor talentoso como Heitor Dhalia desperdiçar sua capacidade em uma película tão apagada. Agora entendemos a reivindicação da assessoria de imprensa na divulgação de “12 Horas”, em uma coletiva de imprensa em São Paulo, com o seguinte lembrete. “Não serão aceitas perguntas que não sejam sobre o filme e a realização do trabalho”.
Para o espectador que aprecia o gênero suspense feito por produtores para adolescentes, como tantos outros que existem “12 Horas” pode agradar. O filme tem uma boa fotografia e belos travellings aéreos.
Crítica publicada no site Confraria de Cinema:
http://www.confrariadecinema.com.br/colunas.jsp?idPost=2389
Crítica publicada na Revista Pâncreas:
http://www.revistapancreas.com/horas-desperdicadas/
+ Trailer do filme +










